O risco de mais uma década perdida

Após a abertura econômica iniciada durante o Governo Fernando Collor de Mello e continuada por Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, os economistas e sociólogos passaram a chamar a década de 80 de “a década perdida”, em referência a um período de estagnação econômica em toda América Latina.

O fato de o Brasil estar fechado  às importações de produtos modernos como veículos e bens de informática (incluindo softwares) naquela década criou uma defasagem cognitiva e produtiva imensa entre nosso país e os mais desenvolvidos. Hoje percebo como poderíamos nos ter beneficiado mais de softwares que teriam tornado nossa vida melhor naquela época. Um exemplo simples é que, enquanto em 1984 os americanos já utilizaram o Microsoft Word, este software somente nos alcançou em 1990. Imagine então as plataformas tecnológicas mais sofisticadas destinadas a indústria…

Atualmente, sofremos o risco de vivenciar mais uma década perdida. Não me refiro mais à defasagem tecnológica, mas sim ao fenômeno sociológico da acomodação social. Nunca estivemos tão sintonizados com a modernidade, e nunca vimos uma geração tão desinteressada com a economia, a política, a religião e a família!

As políticas assistencialistas que asseguram renda mínima às famílias estão produzindo, paradoxalmente a uma melhor distribuição de renda, uma geração de famílias acomodadas com este auxílio, que está se tornando a finalidade em si, e não um meio temporário de subsistência. O seguro-desemprego também está produzindo este resultado; basta ver como aumentaram as fraudes trabalhistas. Somado a isto, boa parte dos jovens não possuem planos a longo prazo, mas apenas a preocupação com o momento presente, sem dedicação à família, ao trabalhou e aos estudos. Ou seja, o hedonismo pelo hedonismo.

Empresários, governantes e chefes de família devem se preocupar com isto, pois o futuro de nosso país está nas mãos destes jovens. A continuar desta forma, empresas terão problemas com mão-de-obra (como já estão tendo), o governo arrecadará menos impostos e os laços familiares se tornarão cada vez mais frágeis.

Os números de nossa economia comprovam o efeito deste status quo.

Ainda há tempo de corrigir os rumos de nossos jovens. É preciso atitude! Você está fazendo sua parte?