Justiceiro Destemido” é o apelido que o amigo de infância, Fábio Falcão, atribuiu a Heron Luiz dos Santos por achá-lo correto e corajoso. Fábio partiu, mas o apelido ficou como uma identidade jornalística na vida de Heron. Seu sonho foi inspirado nas atividades de Mário Eugênio (foto), jornalista, setorista de Polícia, assassinado barbaramente, no final dos anos oitenta, por um grupo de policiais e militares de Brasília, que a imprensa estigmatizou com o nome de “Esquadrão da Morte”, contra o qual o repórter do jornal Correio Braziliense lutou com ousadia e sem medo, até tornar-se mais uma vítima dos denunciados. Como Tim Lopes, no Rio de Janeiro, Mário Eugênio transformou-se, ainda em vida, em uma lenda do jornalismo policial de Brasília, repetindo diariamente, no programa de rádio “Gogó das Sete”, o bordão: “Meu compromisso é dizer a verdade, somente a verdade, doa em quem doer”. Pois, entusiasmado com o trabalho e a história de Mário Eugênio, Heron escreveu um livro, com qual pretende homenageá-lo in memoria. Mas Heron, a exemplo de seu ídolo, vai ainda mais longe : quer fazer uso do jornalismo, profissão na qual está se formando pela Universidade Católica de Brasília, para registrar o cotidiano da violência no Distrito Federal, denunciar corruptos, combater o crime, os criminosos e os maus policiais. Com essa proposta e sua fixação por Mário Eugênio, Heron tornou-se uma figura carismática no ambiente da Comunicação da UCB. Em seu livro, ele passeia, virtualmente, pelo submundo do crime no Distrito Federal, procurando explicações e cobrando soluções para o assassinato do jornalista. Heron tem uma particularidade: é portador de uma lesão neurológica que o impede de falar e ser entendido, num primeiro momento, de maneira clara e compreensível, bem como de caminhar com o corpo ereto e inteiramente equilibrado. Mas supera com facilidade as adversidades e vai à luta. Como seu entusiasmo e otimismo, circula praticamente por Brasília toda, em busca de notícias, e sempre traz consigo uma matéria original. Já descobriu crimes, encobertos há dezenas de anos, entrando em lugares em que os mortais comuns receiam penetrar. “É ali que está a notícia!”, observa com entusiasmo.
Em 2004, integrou-se como membro, ao movimento cultural de Taguatinga, a Tribo das Artes. Em 2007, entrou para a Academia de Letras de Taguatinga, a (ATL), como um membro voluntário. É autor de “Pássaro Ferido – Contos e Poesias”, na segunda edição, lançado na Feira do Livro de Brasília, em 2007. Agora está diante do seu tão sonhado Mário Eugênio – o Gogó das Sete, fruto de um enorme esforço de pesquisa. Heron é religioso, e dá graças a Deus pela ajuda que tem recebido. Participar de mais uma Edição da Feira do Livro de Brasília consagra, ainda mais, este sonho.
(Por Aylê-Salassié F. Quintão, professor de Jornalismo e orientador do projeto)
